“No círculo sagrado as mulheres criam um espaço seguro e protegido para se conectarem aos profundos mistérios da espiritualidade feminina. Elas lembram e praticam antigos rituais, descobrem e manifestam seu potencial inato, harmonizam e fortalecem a autoexpressão, compartilham riso e choro, dança e canções, tecendo uma teia de apoio, solidariedade, confiança e amor, curando assim antigas feridas da alma feminina.” (Círculos Sagrados para mulheres contemporâneas, de Mirella Faur).

Abertura intuitiva integrando as dos planos de baixo, do meio e de cima.

Dança circular com a música “Espiral” .

Apresentações e partilhas.

Deusa Brígida – Inspiração:

Poesia:

(extraído e adaptado do livro O Oráculo da Deusa, de Amy Sophia Marashinky)

Deixe que eu me aproxime de você

através da bruma, através do fogo, através das plantas

através das fontes profundas e abundantes

com ideias, visões, palavras,

música que penetra nos ouvidos

Deixe que eu a comova, anime, estimule

até que suas perspectivas mudem

e sua mente, corpo e espírito explodam,

e tornem-se pura inspiração

e você seja apenas o rastro de tudo que foi revelado

e  que assim, preenchida de sua própria inspiração,

você possa provar a doçura e sentir a leveza da sua própria existência

Mitologia e atributos:

Brígida é uma deusa celta muito popular na Irlanda, considerada a deusa da luz, do fogo, da poesia e da sabedoria. O significado do nome deriva da palavra Brighid, que significa poder e superioridade. Simboliza algo que está acima, em cima, superior, assim como a inspiração. Em sua mitologia Brígida é a luminosa deusa tríplice do fogo, a Chama Tríplice. Ela representa o fogo da inspiração, que cria as ideias e as artes; o fogo da ferraria, que cria os instrumentos de sobrevivência, proteção, batalhas e sustento; e o fogo da cura, que transmuta os estados físicos, emocionais e espirituais. Assim, ela foi muito representada em imagens sendo três mulheres ao mesmo tempo: a poetisa, a médica e a ferreira, pois o fogo alimenta as forjas, esquenta os experimentos dos alquimistas, e incendeia a mente dos poetas. Os poetas a invocavam para suas criações e proteção, e acreditavam que a deusa irlandesa nasceu com uma chama no alto de sua cabeça, conectando-a com toda a sabedoria e inspiração do universo. A lenda mais antiga conta que um dia dois sóis despontaram no horizonte para iluminar o mundo. Um deles era o Astro-Rei que emergiu do Leste para iniciar sua comum caminhada pelo céu até encontrar seu descanso no Oeste. Mas o outro Sol anunciava o nascimento de uma menina iluminada. A casa onde nasceu formou uma chama de brilho até alcançar o céu, competindo em pé de igualdade com a luz do Sol, e vencendo as trevas da noite. Os que presenciaram o nascimento deste bebê de mística beleza relatavam que em sua cabeça havia um pilar de fogo solidificado como uma coroa de rubis, a enfeitar a criança com ares sobrenaturais, consagrada Deusa do Fogo. Como os celtas tinham fortes interpretações dos elementos da natureza e viam o fogo como uma energia espiritual latente a todas as coisas e no intelecto e estados emocionais humanos como paixão, caridade e amor, Brigida foi considerada também a deusa das Artes e da Poesia, a Inspiração. Na lenda da Espada do Rei Arthur, a Senhora do Lago forja a espada do Rei com o fogo sagrado de Brígida. Na antiga cultura Celta existia uma ordem só de mulheres dedicada a ela para orar pelo fogo da sabedoria, paixão, cura e sacralidade feminina, mantendo aceso o fogo sagrado do seu santuário. Em suas imagens é comum encontrar estatuas ou desenhos de seus animais sagrados como a Cobra representando a criação e os oráculos, a Vaca representando a nutrição, o Lobo representando a intuição, o Abutre ou outras aves de rapina representando a morte, o Cisne representando a união da serpente com o pato, que simboliza a união entre o fogo e a água. Ela recebeu inúmeros títulos durante os anos e lugares de culto: Brigid, a Vitoriosa, Guerreira imortal, Rainha do Povo das Fadas, Mãe das Canções e Poesias, Senhora das Fontes, Chama do Coração das Mulheres, Fogo que Arde sem Cinzas, Mãe da Sabedoria, Deusa da Cura com manto verde e voz doce.

O culto a ela foi absorvido pela Igreja Católica Romana quando a Irlanda foi convertida ao cristianismo e tornou-se a Santa Brígida, cujo principal título é “a santa do manto verde e dos cabelos de ouro”. Mas suas imagens conservaram os traços marcantes das imagens da deusa celta. Na mitologia católica ela supostamente nasceu entre os anos de 450 e morreu entre 520 de nossa era, sendo filha de um druida e de uma escrava pagã. Era uma moça generosa que não desejando casar tornou-se freira e criou um grande mosteiro sendo o primeiro centro irlandês de estudos e artes. Sua vida foi repleta de milagres, que reproduziam os atributos da deusa celta, como abundância, cura, falar com animais, ênfase no auxílio a mulheres, pobres e doentes. Sua representação como Santa tem elementos reais e míticos, mas foi através dela que a igreja cristã celta permitiu a perpetuação da antiga reverência e culto da deusa Brigida. Sua festa é celebrada geralmente no primeiro dia de fevereiro no hemisfério norte e primeiro de agosto no hemisfério sul, quando ela “conduz a primavera para a terra depois do domínio do inverno”. Esta festa era feita no meio do inverno porque é quando a terra está se recuperando e o Sol se fortalecendo para a primavera, marcando a preparação de um novo ciclo de plantio e vida. Época de festas alegres, tochas e fogueiras, comidas condimentadas, sucos e vinhos de sabores marcantes.

Anotações e reflexões:

Brígida está aqui para Inspirar você e a convidar a sentir e buscar sua própria inspiração. Você está sentindo alguma falta de direção, motivação, energia, ou se sente um pouco confusa? Você anseia por algo que não consegue alcançar ou que não sabe exatamente o que é? Esta confusão ofusca o acesso a sua inspiração. Está na hora de você interiorizar, acalmar e olhar para o seu fogo interno. A real centelha divina e o alimento da inspiração. Brígida nos diz que uma vida sem o fogo da inspiração na verdade é uma vida sem alimento, por isso não há motivação. Busque inspirar-se para que se torne mais clara e mais energética.

Faça uma lista com as coisas que mais te inspiram. Podem ser pessoas, músicas, livros, situações, o que desejar. Agora escreva um atributo ou motivo pelo qual você se inspira com estas coisas. Analise como esse motivo se relaciona contigo. Você tem ou gostaria de ter esse sentimento, sensação ou atributo que te inspira? Provavelmente essa inspiração faz você se conectar com sua essência.

Vivências:

Pensamentos sobre inspiração, intuição, arte e meditação ativa, conduzidos pelo artista Fábio Gimovski.

Exposição de músicas que nos inspiram pelas integrantes do círculo, e partilha das sensações que motivam essa inspiração pela canção. Sorteio de uma canção para todas dançarem livremente movimentando seus corpos pelas sensações causadas pela canção. Condução por Suzi e Gaby.

Canções inspiradoras por algumas deusas integrantes:

Peça Felicidade
O Que Você Quer Saber de Verdade
Tocando em Frente

Somewhere Over the Rainbow

Respira Amor
Me Curar de Mim
Um Outro Lugar
Amazing
Metade
Iris
Ong Namo
A Cura

Conexão com o Chackra conduzido por Gaby.

Partilha e fechamento.

E inspirada pelo nosso maravilhoso círculo, nossa deusa integrante Janaina nos presenteou com uma linda poesia:

O espelho vê o quê

Um sorriso bobo

O que você lê

O uivo de um lobo

O que você crê

Vê lágrimas

Dores e lástimas

No outro é você

Que bela figura

Inspiração e pintura

O que vê

Janaina c. fanderuff

Gratidão

Este é um movimento de resgate da espiritualidade feminina, com partilhas e vivências, onde estudamos as deusas mitológicas como representação da multiplicidade de energias, fases e atributos femininos. Os alimentos e bebidas podem ser trazidos pelas integrantes. Tenham um caderno de anotações para auxiliar as práticas. Trazer manta em dias frios. Valor de troca R$20 vinte reais.

Suzi