Nas práticas circulares as mulheres ampliam suas percepções, acelerando a evolução espiritual individual e grupal. Ao se libertarem de vestígios do patriarcado, machismo e repressões interiores, as mulheres se reconhecem filhas da Mãe Divina e assim experimentam a essência do sagrado feminino, que é o poder do amor e o respeito.

Abertura intuitiva integrando as energias dos planos de baixo, do meio e de cima.

Dança circular com a música Espiral Apresentação e partilha.

Deusa Oiá – Mudança:

Meditação conduzida por Suzi:
(Inspirada e adaptada do livro O Oráculo da Deusa, de Amy Sophia Marashinsky)

Eu trabalho de modo profundo. Eu estou sempre presente. Eu estou sempre em movimento. Eu trabalho de modo dramático, com trovões e relâmpagos. Varrendo e expulsando. Varrendo e mudando. Levando o velho e trazendo o novo. Às vezes trabalho de forma agressiva, com tempestades e ventanias. Às vezes trabalho de modo sutil, empurrando, desfazendo, sumindo e dissipando como o vento. Eu rodopio tudo. Eu rodopio você. Eu giro tudo. Eu giro você. Movimento tudo. Eu movimento você. Eu faço chover para lavar, limpar, dispersar e deixar ir. Eu também te balanço e sacudo. Faço com que você se choque, faço com que você se sacuda através das tempestades que trago. Porque sou aquela força dentro de ti que abre o caminho para o que tem de vir. Sou aquela força dentro de ti que abre o caminho para o que tem de mudar na sua vida. Eu sou a mudança. Posso ser insignificante ou estupenda. Posso ser breve ou duradoura. Posso ser tumulto ou ascensão, caos ou elevação. O que não posso ser é ignorada. Eu sou a mudança e não posso ser ignorada. Me chamam Oya, Iansã, Ventania, Tempestade… Mas na verdade sou essa energia da mudança e do movimento que habita em ti.

Oya vem causando tempestades na sua vida para dizer que é hora de mudar. A deusa de hoje vem te dizer que a mudança está montando acampamento no degrau da sua porta e você deve abraçar a mudança. Você tem estado ocupada demais ou estressada demais para prestar atenção nas mudanças? Talvez estas mudanças sejam necessárias em sua vida para alimentar a si mesma. Mudança é um conceito que lhe inspira tanto medo que você prefere deixá-la de lado, se esconder ou simplesmente ignorá-la? Você organizou sua vida com tanta perfeição que não sobrou espaço para gozar sua liberdade e desenvolver seu potencial criativo? É hora de mudar. É hora de remover, limpar, varrer. Talvez você esteja no meio da mudança neste exato momento. Talvez você sinta vontade de mudar, mas tenha dificuldade em aceitar. Resistir à mudança provoca mudanças ainda mais difíceis e persistentes. Escolher dançar com a mudança da vida significa fluir com ela e entregar-se a sabedoria universal. Deixe-se ser instável, prepare-se para desapegar, deixar, limpar, varrer o que não lhe serve mais. Oya nos diz que a terra precisa ser removida antes que algo possa ser plantado. E que a mudança sempre traz aquilo que você precisa em seu caminho rumo à totalidade. Prepare-se para crescer e ser quem você estava esperando. Entre profundamente na dança caótica da mudança e você será ricamente abençoada com incontáveis possibilidades. Confia e vai.

Mitologias e atributos:

Na África, Oya é a deusa iorubá dos fenômenos climáticos, especialmente dos tornados, raios, tempestades e do fogo. Ela representa as forças da transformação, da liderança feminina e do encanto persuasivo. Ela também é uma poderosa divindade de religiões brasileiras como a umbanda e o candomblé. As mulheres recorrem a ela quando estão com problemas de difícil solução devido ao seu grande poder de mudança e dissolução das coisas através dos ventos e tempestades. Na arte de Hrana Janto, do livro O Oráculo da Deusa, de Amy Sophia Marshinsky, Oiá é ilustrada com a cor da uva, que também simboliza a cor da transmutação, e exibe nove redemoinhos simbolizando o constante movimento da vida. Também é apresentada com um turbante imitando os chifres de um búfalo, animal presente em muitas de suas mitologias. Esse poder destruidor e transformador confere a ela a deidade do fogo, sendo também representada pelas cores vermelho e laranja em algumas religiões brasileiras. Uma de suas mitologias conta que Oiá recebeu o nome de Iansã quando realizou o sonho de ser mãe de nove filhos, pois “Iansã” significa mãe nove vezes.

Suas mitologias contam que Oiá era uma mulher muito desejada. Bela, sedutora, e guerreira, ela sempre despertou amor e disputa entre os Orixás. Dessa guerra romântica até hoje inúmeras aventuras são contadas, e todas elas sempre falam de uma Oiá guerreira e amante, dedicada aos seus dois amores Xangô e Ogum.

Uma de suas mitologias conta que quando Ogum caçava na floresta viu uma linda mulher saindo da pele de um búfalo e indo em direção a cidade. Ele então roubou a pele de búfalo da qual ela se despiu, foi ao seu encontro na cidade e encantado por sua beleza a pediu em casamento. Oiá negou o pedido de casamento e voltou para a floresta retornando para seu lado animal, mas não encontrou sua pele de búfalo. Então desconfiada que Ogum pudesse ter roubado sua pele e decidiu aceitar seu convite de casamento com a condição que nenhum familiar ficasse sabendo do seu lado animal, seu disfarce de búfalo. Oiá se apaixonou por Ogum e tiveram nove filhos. Mas ela sentia saudade de vivenciar seu lado animal e selvagem de quando estava na floresta com sua pele de búfalo, então nunca deixou de procurar. As outras esposas de Ogum tinham ciúmes dela e tentavam descobrir seu segredo, então embriagaram Ogum e ele acabou revelando que sabia o segredo da pele de búfalo de Oiá e sua essência animal. Um dia Iansã esperou todos saírem de casa, procurou por toda parte e acabou encontrando sua pele, roubada e guardada por Ogum. Vestiu-a, saiu bufando e chifrando todas as suas rivais, poupando apenas seus filhos, para os quais deixou seu par de chifres, e os instruiu a esfregá-los em momentos de necessidade que ela viria de onde estivesse rápida como um raio, para salvar seus filhos.

Oiá também foi casada com Xangô, e ao receber a notícia da morte de seu amado, mergulhada em profunda tristeza transformou-se no rio escuro Odô Oiá, o rio Níger.

A maioria dos mitos sobre essa deusa ressalta sua beleza, inteligência e poder de sedução sobre os homens. Entregou seu coração a vários homens, os encantando e recebendo inúmeros presentes de seus apaixonados. Quando casada com Ogum ganhou o direito de usar sua espada para sua defesa. Com Oxaguiã adquiriu o direito de usar o escudo para se proteger dos inimigos. Com Exu ganhou a magia do fogo para realizar seus desejos. Com Oxóssi adquiriu o saber da caça para se alimentar. Ao final de suas conquistas Iansã partiu para o reino de Xangô, se apaixonou por ele e ao seu lado ganhou o domínio da justiça e dos raios.

Um de seus mitos conta como Oiá criou o vento e a tempestade a partir do desejo de ajudar seus amantes. A lenda conta que Oxaguiã estava em guerra e as armas fabricadas por Ogum para proteger seu povo já eram insuficientes, pois o fogo da forja não dava conta da fabricação de tantas armas e materiais de defesa em tão pouco tempo. Comovida, Oiá decide ajudar Ogum e começou a soprar o fogo da forja com tanta força que acelerou o derretimento do ferro. Mas quando Oxaguiã veio agradecer Ogum pelo trabalho se apaixonou por Oiá e os dois fugiram juntos. Ogum ficou tão furioso que não aceitou mais Oiá para lhe auxiliar nos trabalhos da forja. Então, quando a guerra voltou e houve a necessidade de fabricação de mais ferramentas, Oiá tinha que soprar a forja de Ogum à distância, estando na casa de Oxaguiã. Assim Oiá colocou tanta força em seu sopro para auxiliar Oxaguiã e Ogum que seu sopro arrastou pó, folhas e tudo o mais pelo caminho até atiçar a chama. Então o povo se acostumou com o sopro forte de Oiá atravessando os ares e logo o chamou de vento. Quanto mais forte era a guerra mais forte era o sopro de Oiá, destruindo às vezes cidades e aldeias. A esse sopro destrutivo de Oiá o povo deu o nome de tempestade.

Outra mitologia conta que um dia Ogum deu de presente para Oiá uma varinha mágica capaz de dividir o home em sete partes e a mulher em nove. Xangô ia com freqüência a ferraria de Ogum admirar Oiá e acabou a seduzindo até que um dia os dois fugiram juntos. Ogum os encontrou e houve uma grande briga entre eles. Ogum e Oiá se tocaram com suas varinhas mágicas ao mesmo tempo e houve um encanto: Ogum dividiu-se me sete partes recebendo o nome de Ogum Mejê, e Oiá se dividiu em nove partes recebendo o nome de Iansã, que vem de “Iyámesan”, que significa “a mãe transformou-se em nove”.

Usar seus encantos e sua força tempestuosa para ajudar os homens que ama está presente na maioria dos contos mitológicos de Oiá. Um deles conta como Oiá libertou Xangô da prisão com seu raio: Como Xangô era muito elegante, bonito e famoso, muitos homens o invejavam e, um dia os hipócritas o prenderam e o trancaram num calabouço. Xangô tinha uma gamela onde via tudo que acontecia, mas havia a deixado na casa de Oiá, sua amada. Quando Oiá olhou para a gamela de Xangô e viu que ele estava preso, Xangô sentiu e lançou muitos trovões para que Oiá ouvisse e o encontrasse. Oiá recebeu a mensagem, acendeu sua fogueira, começou a cantar seus encantamentos e cruzou seus braços em direção ao céu. Nesse momento, o número sete se formou no céu e um raio partiu as grades da prisão de Xangô, o libertando. Ao sair, Xangô viu Oiá vindo pelo céu num redemoinho. Oiá libertou Xangô com o raio. Oiá libertou Xangô com o vento. Oiá libertou Xangô.

Oiá também é considerada a rainha dos mortos porque uma de suas estórias de amor e encantos conta que ela ganhou o reino dos mortos de Obaluaê, que também estava apaixonado: Omulu-Obaluaê O Senhor da Terra estava em uma festa com seu capucho de palha e somente a corajosa Oyá teve a ousadia de dançar com ele. Mas ela dançou e girou tanto que seu vento levantou as palhas de Omulu e todos viram que ele era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza e ele fez de Oyá a rainha dos espíritos mortos. Oyá então dançou de alegria, e para mostrar a todos seu poder sobre os mortos ela passou a dançar agitando no ar o iruquerê afastando os eguns para o outro mundo. Passou a ser chamada também Oyá Igbalé, a condutora dos espíritos.

Fonte: PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Cia. das Letras, 2001.

Anotações e reflexões:

Reflita sobre as mudanças, os movimentos e as tempestades em sua vida. Escreva espontaneamente coisas que você deseja mudar em sua vida. Comportamentos, dependências, ambientes, vícios, repetições, pensamentos limitantes, sentimentos tóxicos, julgamentos, medos.

Agora liste em folha separada formas reais de você promover estas mudanças. Como você gostaria de aplicar esta energia da mudança e da coragem nestes aspectos que você deseja mudar?

Vivências:

Dança ritual conduzida por Suzi:

Coloque suas intenções junto ao seu corpo. Iniciamos com uma dança circular para fortalecer nossas intenções com nossas energias e firmarmos uma rede de proteção. Durante a roda vamos trazer o poder e a força que precisamos para realizar e receber as mudanças. Na segunda música nos desprendemos do círculo para dançarmos livres pelo espaço, executando círculos, espirais, giros e deslocamentos. Vamos refletindo sobre tudo que queremos limpar, deixar e movimentar em nossas vidas, para mergulharmos com energia nessa mudança. Podemos usar vassouras varrendo o chão ou o espaço; os véus para varrer o ar e girar; os instrumentos para expulsar; ou simplesmente produzir movimentos livres que representem mudanças para nós. Que possamos movimentar nosso corpo nos libertando de tudo que impede as mudanças necessárias. Movimente essa energia no seu corpo, sem medo, sem julgamento e com liberdade.

Meditação guiada conduzida por Gaby.

Partilha e fechamento.

Suzi Ribeiro.

Este é um movimento de resgate da espiritualidade feminina, com partilhas e vivências, onde estudamos as deusas mitológicas como representação da multiplicidade de energias, fases e atributos femininos. Os alimentos e bebidas podem ser trazidos pelas integrantes. Tenham um caderno de anotações para auxiliar as práticas. Trazer manta em dias frios. Valor de troca R$20.